domingo, 26 de fevereiro de 2012
Cronica de um intestino escroto
Fiquei na escolta da porta do banheiro por quinze minutos, que demoraram duas horas para passar, aproximadamente. A essa altura, eu ja suava horrores. Quando o ruído da minha barriga evoluíra para um barulho quase ensurdecedor, eu resolví que era a hora exata de tentar mais uma investia rumo à privada. Neste momento, a bondosa servente, mulher trabalhadora, resolve interditar o acesso ao meu desejado objetivo. "Filha da puta!!!", pensei no momento. Resultado? Tive que esperar mais uns dois dias (cinco minutos), já visivelmente desesperado e com ódio à coitada da zeladora estampado nos olhos, para poder, enfim, descarregar os resíduos mortais que me atormentavam.
Depois de uma espera petrificante, vejo que a moça sai do banheiro masculino afim de continuar seu trabalho ao lado, no feminino. Como ela fechara ambos os banheiros, afim de realizar seu trabalho, o momento me pareceu perfeito. Pobre de mim, iludido. Esqueci que a perfeição não existe. Adentrei o ambiente vazio. "É agora!". Sem pestanejar, sentei-me no vaso, tranquilo, deixando o local completamente fétido, diga-se de passagem, o que era completamente compreensível.
Foi aí que deu-se a bagaceira: alguma turma de algum curso acabara de ser liberada. Neste exato momento, a servente, bondosa como uma santa, desobstruiu a entrada dos sanitários. Foi uma invasão desenfreada de jovens barulhentos, enlouquecidos... e eu naquele cubículo fedorento e em total estado de pânico. Minha respiração, meus batimentos cardíacos, tudo cessou por alguns minutos menos... o barulho das malditas flatulências fedidas, as quais eu não tinha a menor condição de segurar. E um silêncio constrangedor tomou conta do recinto, seguido de perto por uma crise de riso generalizada. Por parte deles, é claro. Da minha parte, apenas berravam os flatos, seguidos de quilos (ou litros?) de merda muito malfeita, vale ressaltar. O meu alívio só veio quando o silêncio voltou a reinar no local.
Resolvi sair rápido do maldito cubículo. Pelo menos, papel-higiênico tinha. Voei para o lado de fora, aonde pude notar que outro grupo - ou seria o mesmo? - se dirigia ao meu encontro. E novamente lá estava eu, utilizando o espelho como desculpa, fingindo olhar as falhas da minha barba. "Dei descarga? Ah, pouco importa... eu vou pro inferno, mas nao volto lá dentro.".
terça-feira, 8 de junho de 2010
Carta de Adeus ao mundo
terça-feira, 4 de maio de 2010
Dedicado a Faustão (a prosa)
Morrer é bom!
sábado, 27 de fevereiro de 2010
Dormir é pros fracos (?)
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
Aleatorismo
Incrivel a demonstração de força do afeto. A transfiguração da pedra, do amargo, da insensível falta de tato, em uma rosa doce e aveludada. Nada mais de obscuro, nada mais avermelhadamente calorento - a não ser uma específica fusão de corpos. Nada mais incômodo ou aversivo... Nada mais desesperadamente subversivo, acabaram os rompantes de violência, os suicidios homeopáticos (em parte), a fugacidade frágil do embreagado orgasmo completamente livre de sensibilidades...
Ri, por que percebi que foi a presença de outrem que me despertou isso. Poderia ter giló com quiabo pro almoço, que cada garfada seria degustada com a ânsia da ultima refeição de um condenado. Não cantarolei mais, por julgar que seria forçoso. Seria apenas para manter o contínuo ritmo da canção, outrora interrompida pelo auto-riso. Mas o riso? Esse sim me perseguiu o dia inteiro. "Filho da puta" - pensei. "Devo tá com a maior cara de sacana apaixonado."
E ai constatei uma coisa interessante. Se escarras, será execrado. Mas se sorri, não importa sua índole, todos te darão bons créditos. E isso gera um ciclo de felicidade que chega a ser cansativo. Digo isso pelo repentino mal humor que acabo sentindo uma hora ou outra do dia. E ai, o cantarolar de logo cedo, logo se transforma num considerável número de resmungos sobre nada.
Será que seria melhor continuar a canção? Quiçá fizesse, esta continuidade, desaparecer o resmungar. Mas pensando bem, quase sempre o mal humor me recorda a benção da indiferença. Com a memória restaurada, indifiro-me a mim mesmo, e o riso retorna. E como uma memória tende a puxar outra, logo me recordo do dádivo sorriso de logo cedo.
Mas ai já são seis da tarde, e outras percepções me invadem, e ai, o sorriso ja é culpa sua...
quinta-feira, 30 de julho de 2009
O vilão
terça-feira, 21 de julho de 2009
Uma cronica, pra distrair...
segunda-feira, 6 de abril de 2009
A festa do Diabo.
Pra o homem, tudo o que ele fez foi colocar o seu amor à prova. Tudo bem que o foco não era exatamente ela, mas o seu amor estava ali. Todas as suas células tinham o único objetivo de sentir cada movimento, cada respiração, cada grito, cada gol! GOOOL! Recorda-se de ter berrado desesperadamente, pulando, beijando-a apaixonadamente, dizendo-lhe que a amava e... Ela estava chorando. “Meu Deus, por quê?”. Essa pergunta martelou-lhe o juízo por algumas horas a fio. Irrespondível pergunta. Resultado? Gritos, insultos, acusações de insensibilidade, lagrimas, lagrimas, lagrimas... Incontáveis lágrimas.
- Você está nervosa, ta “naqueles dias”? – Pergunta inocentemente, buscando uma resposta para aquela barbárie instalada.
Pronto. De repente, ativa-se alguma espécie de código que faz com que as mulheres percam qualquer lucidez que ainda se faça num momento de cólera. Parece que, por algum motivo, as mulheres defendem veementemente o direito de ficarem nervosas, sem culpar o seu ciclo menstrual. Pronto... A porta bate às suas costas. Ele vai, de cabeça fervente, andando pela rua, quando o celular toca. Se ele tivesse apenas uma chance de prever o porvir, teria atirado o maldito fone embaixo do primeiro ônibus que passasse. Atende à maldita ligação:
- Fala Pedrosa.
- E ai, meu ‘brother’. Planos para hoje?
- Rapaz, acabei de sair da casa da figura aqui...
E ai, se segue o diálogo em que se explica todo o ocorrido e, o mais importante, em que há a ação do Satanás na vida de qualquer homem recém saído de uma briga em casal; o convite a uma festa. Que fique claro que eu não desejo, de forma alguma, dar razão a qualquer fato que se suceda. O que aqui descrevo, são apenas fatos, como vocês hão de concordar.
O diabo da festa se faz. O homem, completamente desentendido, conversa com o amigo, afim de que, juntos, eles possam analisar e compreender a atitude tomada pela mulher, horas antes. Ainda abalado, ele, na frustração de não encontrar compreensão – visto que, em sua mente, ele nada fez, a não ser assistir a um inocente jogo na casa da namorada -, começa a bebericar uma mistura alcoólica, levemente adocicada e de fácil degustação. Uma dose segue outra, que traz mais uma, e outra, e em questão de poucas horas, o rapaz está completamente embriagado. Neste exato momento, mas uma ação demoníaca, sua música favorita começa a tocar. É uma música alegre, dos tempos em que ele era solteiro e... Ele começa a recordar-se de tais tempos. A briga começa levemente a adormecer em seu cérebro, e aquela sensação nostálgica levanta-o da cadeira.
E ele começa, ainda que timidamente, a ensaiar alguns passos. “Pra-la-pra-ca”. O álcool vai destruindo a timidez e... Em muito pouco tempo ele está no meio da pista de dança se divertindo como há muito tempo não se divertia.
Então o inevitável acontece. Em mais uma ação, o Diabo coloca na frente do rapaz aquela moça linda, solteira, enlouquecida – provavelmente pelo uso de alguma substancia psicoativa – e os seus olhos se encontram. Ele, bêbado e magoado. Ela, louca e solteira. Pronto. Nem duas palavras se trocam antes que seja impossível a identificação de quaisquer daqueles seres. Suas bocas se tocam desesperadamente, alucinadamente, como se fosse um asmático em busca do último sopro de ar. Beijam-se por mais alguns segundos, antes que ele acorde numa cama, completamente nu, e sem memórias aparentes sobre os últimos acontecimentos.
Repentinamente, algo se move do seu lado. O susto pela presença só é vencido pelo assombro pela recordação, que volta vagarosamente. Ele olha em volta, na tentativa de reconhecer o local em que se encontra. Era o seu quarto. De um salto, ele levanta-se já alcançando o jeans e vestindo-o enquanto busca a camisa. Em questões de segundos, ele está completamente vestido e acordando a moça. Fala-lhe que cometera um erro terrível, que, caso ela ainda não soubesse, ele tinha uma namorada, etc, etc... Sua acompanhante demora-se a entender, mas... Dá de ombros a tudo, veste-se e vai embora. Ele nunca mais a veria novamente. Precisava agora ligar para o amigo, para que juntos pudessem pensar em algo para encobrir a traição. Encontra-se com o comparsa, lamenta-se da besteira, fala que está arrependido - nota: a maioria dos homens se arrepende, sim. Na primeira vez, pelo menos. -, e que vai em busca da amada. contá-la a verdade, dizer que foi um erro...
- Não faça isso jamais! – Os olhos esbugalham-se desesperados tentando dissuadir o imbecil de cometer o maior erro de sua vida, em tese.
E ai segue a falácia do amigo, demonstrando por provas e mais provas que uma mulher jamais aceita ser trocada, que contar a verdade só a magoaria, e bla, bla, bla... Consegue, enfim, depois de muito falar, tirar a idéia absurda da cabeça do amigo. Mesmo assim, adverte-lhe a ir em busca da namorada, afim de sondá-la. Perceber o terreno, ver se ela descobriu e; se sim, negar a todo custo, se não, levariam o segredo ao túmulo!
Chega ao seu destino. Chama-a à porta, adentra o recinto e a percebe ainda mal humorada. “Deve ser ainda pela briga de ontem”, pensa inocentemente. E ai, resolve partir para o perdão pela tal briga de ontem. Pede perdão, diz que sente muito, que ele é um insensível mesmo... tudo o que sempre funciona com as mulheres, mas ela está estranhamente calma.
- Você saiu ontem? – Pergunta a namorada.
Fudeu. É o primeiro pensamento do cara, que gagueja, sua, treme, olha pro teto, pra janela, levanta, abre a janela, vai na cozinha, bebe água, volta, fecha a janela, senta, reclama do calor, levanta, abre a janela, e, enfim, responde-lhe que ‘foi tomar um chopinho com o Pedrosa’.
- Você ‘foi-tomar-um-chopinho-com-o-pedrosa’? Só isso?
Agora sim, fudeu. A sudorese aumenta, ele sente dor de barriga, vontade de vomitar... Até que lembra das palavras do amigo: “Negue até a morte.” E continua dizendo que sim, fora apenas tomar um chopp inocente com seu amigo.
- Ah, é? – Indaga-lhe ameaçadora. – E o que significa isso aqui?
Só o demônio sabe de onde ela tirara uma foto “Polaroid” que algum desocupado tirara na festa. Era ele no famoso flagrante, deliciando-se nos lábios da colega de horas atrás. Ele fica uns dez a doze minutos olhando a foto, quando ela profere as ultimas palavras, que agora ele já não escuta, por diferentes motivos. Ele refaz todos os rostos possíveis de se refazer na festa e ainda não crê no que vê.
- Ela é prima de uma amiga da vizinha do cabeleireiro da minha prima, que, por acaso, estava na festa.
E, novamente, ouve-se o som da porta batendo no fundo.
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
Agradeço
Por criticas e ausencias, tambem hei de agradecer. Seja por impossibilidade ou por falta de querer. Seja por distancia ou por mera ausencia mesmo... Sintam-se livres de quaisquer culpa, pois jamais fecharei minha mente a ponto de criticar-vos ou de ser-vos ausente. Tenham a crença de que compreendo que a presença não se faz por mera aparição fisica, estamos muito além desta falta de espiritualidade, desta presença de torpor... Não existe, da minha parte, nenhuma obrigatoriedade, seja consciente ou inconsciente de qualquer presença. Percebam: Obrigadoriedade difere de vontade.
Sejam aplausos ou vaias, seram ouvidos e compreendidos. Seja a critica ou a ausencia, será dolorida, mas ouvida e internalizada. Sintam-se a vontade para sorrir ou escarrar, para alisar ou estapear, para estar ou nao estar... Sintam-se a vontade para amar ou detestar, para sorrir ou para calar, para vir ou para ficar.
Mas recordem-se; aqui estou e aqui sempre estarei.
terça-feira, 6 de janeiro de 2009
Berros de sentimentos
Sessão nostalgia.
Como sorrir?
De que motivos fúteis preciso para enganar essa lágrima que teima em querer rasgar-me?
Por que caminhos estreitos terei que caminhar para esquecer essa solidão que teima em me doer, que teima em me tomar?
Por onde, dentro de minha mente, terei de ir para conseguir enfim me esconder desse vazio, dessas risadas falhas que eu ainda estampo, desses sentimentos que beiram o amargo de tão medíocres?
Infelizmente eu não consigo me enxergar dentro desse padrão frio, pois eu ainda creio na existência dos sentimentos, muito embora eles não tenham me ajudado tanto por esses tempos.
Não consigo me adaptar a esses tempos em que beiram as relações cegas, que não conseguem se mostrar, não conseguem se entrelaçar como se amar fosse algum motivo para se fugir. Gostaria de entender o porquê de ninguém conseguir firmar-se ao meu lado, pois me parece que está tudo torto. É como se o mundo estivesse virando de cabeça pra baixo, e eu ainda esteja teimando em caminhar na direção contraria só que ninguém me entende – e todos esperam que eu volte a caminhar na direção deles.
Gostaria de acertar o caminho para fugir desse sistema sufocante, para que eu possa enfim poder correr atrás da minha felicidade, e fugindo dessa fumaça que teima em querer me cegar, dessa sede por lucros desumanos, dessa selva que eu sou obrigado a suportar – pois neste mundo não se come quem tem fome, não se dá abrigo a quem tem frio, muito menos ouvidos aos que ainda teimam em tentar berrar o erro deste mundo.
Mas como correr atrás de uma felicidade que eu sou impossibilitado de enxergar, pois não sou completamente entendido nas minhas falas dando-lhes um ar de devaneio? Como esperar que as coisas enfim se acertem, se nem quando tenho certeza de que tudo dará certo, a calmaria se vai e uma nova tempestade se instala?
Que monstro é esse que me causei por conta de tantas quedas?
Quantas feridas, nas quais joguei sal e também engoli as lágrimas de dor, terei ainda mais de suportar até que meu caminho seja aberto à liberdade?
Ardo. Mas ardo por que não consigo me convencer que estou errado. Ardo por que não importa quantos planos eu faça, todos se perdem num grande incêndio. Ardo, mas esse ardor, como sempre, vai ser esquecido com muitos e muitos sorrisos tão falsos quanto esse vazio a que me lancei. Ardo por que não posso lutar para mudar, pois sou covarde demais para fugir e corajoso demais para ficar. Ardo, mas este ardor há de passar, essa lágrima há de secar e o meu sorriso – falso, mas sorriso – voltará a estampar meu rosto.
domingo, 9 de novembro de 2008
Enquanto isso...
Sei que, quase em todas as minhas viagens de ônibus, eu fico calado, olhando a rua, e esperando que algum estímulo comece a fuzilar meus neurônios. Funciona como uma injeção de gasolina num motor: O estímulo toca o neurônio que já passa a descarga pro próximo, que passa adiante que... Quando vai ver, eu já pensei duas mil coisas sobre uma besteira qualquer... E ai, a viagem fica menos monótona, e eu fico menos entediado.
Bom... Vim o tempo todo num caminho atípico hoje. Nada demais acontecia na rua. O ônibus, não estava cheio, para que as perversões alheias me deixassem ligado. Olhava pra dentro do veículo, morto, arejado, calado... Recordo-me de uns doze bocejos... Só o ranger das ferragens, que denunciava a precariedade da minha carruagem, e uma buzina ou outra na rua. Os olhos já estavam no meio caminho para fecharem-se em sono, quando duas amigas sentam-se, uma ao meu lado, e outra à minha frente. Nada diziam, apenas sentaram-se. Falaram duas ou três coisas, que eu não me recordo – talvez devido ao sono – quando uma fala de uma das garotas me chama atenção:
- Amiga... Eu acho que tenho certeza.
“Eu-acho-que-tenho-certeza.”. Ponto. Passei as ultimas horas pensando incessantemente nessa colocação. Que tipo de enredo faria com que essa colocação, a primeira vista completamente livre de nexo, fazer algum sentido? Em primeiro lugar, saliento que minha mente é extremamente fértil, e divaga facilmente por diversos caminhos...
Imaginei:
Estavam na praia, por sugestão de seus trajes. Uma das duas está desconfiada que a outra esta dividindo consigo seu marido, o que explicaria o silêncio entre as duas. A amante, confidente fiel, ouve diariamente as críticas da amiga em relação ao famigerado esposo. E é ai que entra sua perversão; ela sente-se fatalmente atraída ao rapaz, devido à descrição diária da amiga às suas canalhices. Todos os dias, a noite, a amante sonha com a indiferença do rapaz, que praticamente nunca te olhou.
Mulher traída sente o cheiro da traição... E poucos dias depois, a amiga começa a se queixar com a traíra da sua desconfiança ‘cornal’. A amiga, sempre tentando esquivar-se da conversa, se utiliza do fiel suporte da traição: a mentira.
E cada vez mente mais... Diz que acha que viu o marido dela com outra, que acha que era o carro dele naquele motel... Mas o rapaz sofre de uma acefalia que é inerente ao sexo masculino, e começa a dar pistas da secreta namorada à esposa traída. E o cerco vai se fechando em torno da traidora...
É exatamente ai que se dá a bagaceira. Presa entre a paixão do cafajeste e a amizade da corna, a mulher inventa a historia que vai culminar na frase que começou esse pensamento todo...
A traidora encontra uma inimiga – toda mulher tem uma mortal – da pobre criatura. E é ai que ela vê a ‘curva-pra-tirar-o-cu-da-reta’. E inicia, na praia, a conversa:
- Amiga... Preciso te contar uma coisa... – Começa a farsante.
A corna só olha pra cara da outra com uma cara de ‘ai-meu-deus-do-ceu’, puxa a cadeira e senta. O garçom esta passando pelo lado dela quando ela dispara:
- Moço, que cachaça tem aí?
- Bom tem ‘cincoenta-e-um’, tem rum, tem...
- Traz uma dose dupla da mais forte...
E virando-se para a traidora, tira os óculos, abre o sombreiro, se abana com o panfleto do ‘Brisa’ que ela pegou no buzú...
- Sim amiga, eu...
- Calma! – praticamente berra neste momento.
O garçom volta com a dose dupla de um negócio que mais parece ácido sulfúrico e coloca a frente da corna.
- Ta ai, dona... Eu nem sei o nome disso, mas o cozinheiro disse que é bem forte, então...
O rapaz nem acabou de falar, e a dose já sumiu, goela abaixo da criatura.
- Traz outra? – fala a corna, se dirigindo à amiga
- Traz outra. – Responde a amiga ao garçom.
E desatina a falar que ela ACHA que o Joanílson ta saindo com a Juciclene, que ela ACHA que viu os dois saindo do Scala ontem, que ela ACHA isso, ACHA aquilo..
E ai, pronto... a figura desatina a chorar... E ai, a outra dose dupla de acido sulfúrico chega. O garçom, vendo o estado da criatura, hesita em colocar a bebida na mesa, mas a mulher furta-lhe o copo e, em um segundo, a bebida já não existe mais...
E assim se segue o papo... Regado a cachaça forte e achismos inventados.
A traidora já esta com a consciência muito pesada, e a corna muito bêbada, quando é decidida a hora de partir. Um banho de mar, uma coca-cola, uma pititinga e dois acarajés curam parcialmente a bebedeira da figura que agora se dirige ao ponto, ainda sob soluços...
A amiga traíra está com a consciência muito pesada, e vai, inconscientemente desmentindo a historia... Diz que pode ter confundido, que provavelmente não era o Joanílson, que acha até que viu a Juciclene na rua naquele dia...
- Amiga – diz entre soluços a corna – você tem que ter certeza disso... é uma coisa muito séria!
A desgraçada, com medo de ser descoberta vai numa batalha mental durante a viagem quando, em certo momento, larga pra amiga:
- Amiga... EU ACHO QUE TENHO CERTEZA.
Meu ponto chegou, um cara tropeçou na rua, dois ‘baleiros’ discutiam uma coisa qualquer, passou um bambi que ficou me olhando, e eu esqueci parcialmente das minhas duas criações.
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
Eu e o pranto
A cabeça tem vida própria, e balança compulsivamente para os lados. Nem eu entendo as razões do pranto. Nem ele me entende. Somos dois: Eu e o pranto. E ele me comanda. Travamos uma guerra eterna... Minha consolação, é que em minutos ele se torna fraco, e eu consigo sobrepor-me, levantar-me e ir embora...
E o sorriso vem fácil. E assim tão fáceis são os abraços. E os suspiros, as lágrimas, os tremeliques, ficam na memória, dando força ao pranto que novamente vira vitorioso.
E espero isso impacientemente. Pois é a derrota que me fortalece.
sexta-feira, 19 de setembro de 2008
Maldizer ou bendizer?
- Amor... – diz a mulher – Minha menstruação está atrasada...
- Coméquié? – Responde o rapaz, já engasgando com a água/suco/cerveja/saliva.
- É... Era pra ter chegado dia 3...
- Ufa... Quer me matar do coração? Hoje ainda é dia cinco e...
- ... Do mês passado.
Depois dos cinco, seis ou sete minutos de digestão mental, o rapaz pega um lápis e papel e começa a escrever, escrever e escrever.
A mulher, que já está apreensiva esperando um bilhete de abandono ou suicídio, fica num vai-vem desesperador, de longe tentando pescar a reação do namorado/marido/noivo/peguete...
- Puta que pariu, que porra de leite caro é esse?
Ela vai à cozinha, bebe uma água e volta.
- Mas pra que esse guri precisa de tanta fralda?!
Agora, o papel e o lápis já foram trocados por uma caneta e uma calculadora cientifica – que só Deus sabe de onde foi que ele tirou...
E nisso é um tal de ‘ai-meu-deus-do-ceu’ misturado com ‘mas que-diabéisso’ e tantas outras frases monossílabas e indecifráveis. A mulher, já está sentada no sofá vendo a novela e fazendo a unha, só um pouco preocupada com o pensamento do rapaz
- PUTA QUE PARIU. Escola pra que? Ele vai detestar aquilo mesmo! Eu ensino ele aqui em casa... Escola só serve pra...
E é ai que entra o poder aliviativo da menstruação: Enquanto se encontra nesse acesso de cólera contra o sistema educacional brasileiro, o rapaz percebe que a mulher corre pro banheiro. Neste momento, uma gota de esperança nasce no âmago do seu ser e ele cruza tudo o que é possível se cruzar em seu corpo, reza pra todos os santos que ele conhece – e ainda inventa uns três pelo caminho -, com um único objetivo em sua cabeça.
Neste momento, seu time pode estar ganhando o campeonato, seu melhor amigo pode estar doente, você pode estar a dois números de ganhar na mega sena acumulada, aquela loira gostosa do 702 pode bater na sua porta completamente nua e com desejos pecaminosos em mente... Nada disso tem valor. Você esquece religião, cor, raça, numero do CPF e sai rezando pra tudo que é orixá, santo, exu, o diabo a quatro, para que a bendita menstruação tenha chegado.
E só quem já passou por isso é capaz de descrever a sensação que é escutar da boca da mulher, saindo do banheiro com o absorvente ‘com abas’ na mão:
- Chegou.
Ai pronto... Um réveillon de fogos de artifícios estoura dentro de seu corpo. Mas não é um réveillon qualquer não... É aquele de Milão, Paris, ou seja, lá que capital monstruosamente rica é capaz de proporcionar. O alívio é tão grande, que o rapaz vai passar uns três dias rindo a toa. E é ai que se escuta da boca de um cidadão desses:
- Bendita menstruação!!
sexta-feira, 25 de abril de 2008
Lei de murphy
Abre a porta com o cuidado de um policial anti-explosivo que examina uma bolsa deixada na calçada. Tira os sapatos antes e se desespera ao constatar que a acompanhante adentrara o recinto de salto alto.
- Tira isso, pelo amor de Deus... – Sussurra com cara de ódio.
O salto fazia mais barulho que um rojão de doze tiros. Eles ficam um tempo parados, pra deixar que o sono tome conta da velha de novo, e começam a entrar na sala completamente escura. Não se podia acender a luz, obviamente, pra manter em sigilo o que iria acontecer ali, em breve.
- Aiiiiiii, satanás! – Canelada na mesa de centro.
- (Risos abafados).
- Fica quieta!! – Sussurra o rapaz.
Quando eles já estão quase atingindo o esperado objetivo – o quarto do rapaz -, a garota diz:
- Preciso ir ao banheiro...
- Não acredito! Por que você não disse isso antes?
- Desculpa, só deu a vontade agora e...
- Ta, ta... Vamos voltar, e você vai no banheiro dos fundos. Não faz barulho, pelo amor de Deus...
No caminho pro banheiro, mais uma canelada na mesa de centro. Ela fica uma eternidade dentro do banheiro e, depois de finalizado seu trabalho, o barulho enlouquecedor da descarga. Ele fica desesperado, corre pra fechar a porta da cozinha e se bate numa cadeira, que derruba um “secador de pratos” cheio de talheres. O tilintar dos metais no chão desesperam o rapaz que se joga no chão a fim de abafar o barulho que já tinha se calado. Ele fica uns cinco minutos deitado, com a mão na cabeça, só esperando a mãe entrar com uma FAL na mão dando tiro pra tudo que é lado.
Vão voltando na ponta dos pés em direção ao quarto. Na passagem da sala, adivinha? Mais um encontro desesperador entre a canela e a maldita mesa de centro. “Dá pra acreditar nisso?”, ele pensa revoltado, olhando pra cara da menina. Ela, mais uma vez, coloca a mão, o vestido, uma almofada - que só Deus sabe onde ela encontrou - na boca pra abafar o riso. Ele coloca o indicador na frente da boca, pra sinalizar um silêncio pra ela. Quando chegam na porta do quarto dele, que é totalmente vulnerável à visão da mãe, caso esta levante, ele fala pra ela:
- Vou abrir a porta, e você entra rápido, viu?
- Mas é melhor você abrir devagar, não lembra que sua porta ta emperrada?
- Como é que você sabe disso?
- Naquele dia que eu vim aqui você...
- Você já... Esquece, anda logo antes que minha mãe acorde.
Abre a porta e eles entram no quarto. Uma paixão em fúria toma conta dos dois que, envoltos em um beijo interminável vão tateando o caminho até a cama. Nesse meio tempo é copo quebrado, derrubam uns porta-retratos, fazem um barulho terrível.
- Psiuu... Pára, pára. Calma, a gente não pode fazer tanto barulho assim!
- Cala a boca e vem logo.
E até a cama conspira contra os dois. É um tal de “nheque, nheque”, “toc, toc” (na parede), “ai minha cabeça” (na cabeceira) até que acaba tudo bem. Agora, é a maratona de volta até a saída.
- Se eu bater a canela naquela mesa de centro de novo, eu vou jogar ela pela janela.
A menina tem que se controlar desesperadamente para não explodir em riso. Vão voltando com o mesmo cuidado da entrada. Agora mais relaxados, com a pupila adaptada ao escuro, o que ajuda na missão. Ele faz de tudo pra evitar a mesa de centro. Faz tanto que nem se liga na outra mesa, a de jantar e... Esbarra com tudo nela. Pra terminar, a porta do quarto – que ele esqueceu aberta, claro – bate com o vento.
- Quem está ai? – ouve-se do quarto da mãe.
- Sou eu – responde o rapaz empurrando a moça para a porta.
- Você esta sozinho?
- Claro. – a coloca do lado de fora, da um beijinho, e faz sinal de que “liga amanhã”. Fecha a porta.
- E que calcinha é essa aqui no corredor?
Como é que isso foi parar ai, pelo amor de Deus?
Ele finge que não ouve e vai dormir. Amanhã, de cabeça fria, ele inventa uma mentira qualquer.
sexta-feira, 18 de abril de 2008
Ai, que tédio.

Sexta-feira a noite. Estou sozinho. Meu apartamento tem um aspecto macabro. Olho para os sofás, vazios. A televisão está falando e mostrando algo para ninguém. O computador está ligado, a minha frente, mas eu não faço a mínima idéia do que se passa na tela. Meu pensamento tem nome e direção certa. Tem uma vontade não saciada, uma voz doce – que até o momento está em silêncio, talvez se mostrando chateada – e uns lindos olhos, do azul mais suave que possa existir.
A semana anterior foi terrível para o meu psicológico. Brigas, cobranças, promessas não cumpridas e o adiamento de um encontro a muito esperado – e igualmente adiado, por mil motivos. Passar a sexta-feira sozinho era realmente deprimente. Abri a carteira e constatei uns trocados. Bom... Pra encurtar a história, eu fui beber, sozinho, numa barraca q fica aqui ao lado do meu prédio.
Desci descalço mesmo, com a camisa do Corinthians no ombro e alcancei meu destino. Sentei-me à mesa improvisada e pedi a desejada Brahma. Meio quente, devo admitir, mas eu já estava “na merda” então ficou por isso mesmo. O dono do bar, que eu apelidei carinhosamente de “coroa”, vem com um “tira-gosto” – uma carne de terrível aspecto – e me oferece. Caí na besteira de dizer que sou vegetariano. Com tanta desculpa no mundo, que não iriam suscitar a conversa q eu não queria ter, eu invento de dizer a verdade. “Mas que inferno”, penso ao pronunciar a última sílaba do nome:
- Você não come carne? Por quê?
“E te interessa o por quê?” Pensei.
- Por que eu não gosto.
Ele parece entender que eu não queria papo e se retira com o prato.
Peço um cigarro ao “Coroa”. Acendo, trago e a sensação de prazer é tão boa, que eu levo minha palma direita à testa. Apoio o cotovelo na mesa, e fecho os olhos por alguns segundos.
- Dia difícil?
Ah, era só o que faltava. Bebum puxando assunto comigo.
- É. – Respondo.
E ai ele desatina a falar. O máximo que eu fazia era dar um sorriso – mais falso impossível -, “fazer que sim” com a cabeça e olhar as horas. Na quinta vez que eu pego o relógio, ele me pergunta se estou com pressa.
- Estou sim. Na verdade, só vim tomar essa mesmo e já estou...
- Sabe que ainda ontem eu estava... Bla, bla, bla.
Sim, ele me interrompeu, e voltou a falar feito um doido. Passou mais uns dez minutos falando palavras inaudíveis.
- Deixa o menino em paz, Edinho. Olha você me desculpa, mas é que ele é doido assim mesmo...
Pensei em ser educado, e dizer que não me incomodava, mas... Vai que ele acredita? Sorri para o outro rapaz e agradeci. O bebum saiu com o amigo, e os olhos azuis voltaram à minha cabeça. A cerveja estava quente feito o diabo, e eu resolvi me embriagar logo.
- O que você tem de “quente” ai?
- Tem conha...
- Coloca um duplo.
Quatro doses de conhaque se seguiram. Resultado? Fiquei embriagado, deprimido e solitário. A imagem do azul dos olhos da minha “pedra preciosa” não me saia mais da cabeça.
Fui pra casa, errei o andar no elevador, demorei meia hora tentando abrir uma porta que não era a minha, mais meia hora pra perceber isso e descer. Entrei no chuveiro de bermuda, esqueci de pegar a toalha e, correndo, bêbado em busca dela, eu tomo a maior queda no meio da sala.
“Depois dessa, só me resta dormir.”. E deitei na “montanha-russa” que se chama "cama de bêbado".
Meu eu fala pro teu.

Ame. Deleite-se com o prazer de poder amar.
Esqueça o pragmatismo que se tornou a vida
Sente-se à pedra, e sinta o cheiro do mar,
Tire da cabeça a idéia de viver pré-concebida
Liberte-se desta vida doente, presa, petrificada
Abra sua mente, pra sempre ter o que falar.
Pare pra pensar no que é errado no dia-a-dia,
Sem simplesmente ouvir e repetir o que lhe é dito.
Que é errado isso, certo aquilo e que isso é feio ou aquilo é bonito...
Tenha sua verdade fundamentada em sua, e por sua consciência,
Afirme sua verdade pra dentro do seu peito
E não a deixe escapar por fraqueza ou por incompetência.
Não desmereça o sofrimento de ninguém para sua alegria.
Ninguém deve passar fome para que você possa se sentar à mesa.
Jamais se justificará a imensa covardia
Que é usar o mais fraco como uma fraca presa.
Não se usa o sangue de ninguém como moradia,
Muito menos suas lágrimas e gritos de medo como defesa.
Desarme-se.
Abrace.
Chore.
Acalente.
Perdoe, enfim.
Mas não esqueça jamais.
Para que o seu esquecimento não tire, dos outros, a paz.
sábado, 12 de abril de 2008
Viva direito, ame direito.

Eu acho que a vida é sua propria assassina. Me incomoda muito a raridade das coisas. Eu e minha mãe, por exemplo, conversamos todos os dias. Nestas conversas, ela deixa sempre bem claro o seu pragmatismo em relação a mim. Pergunta se marquei o dentista, se fui ao curso semana passada - o qual eu não posso faltar, por que foi carérrimo - , mas raramente quer saber de mim. Apenas cito minha mãe por ela estar presente no exemplo diariamente. Mas isso acontece todos os dias, com as mais diversas pessoas. Inclusive com você. E alguns poetizam a vida. Talvez buscando suberfugiar o fato mórbido cronotativo regressivo que é o viver.
As pessoas vivem no "automático". A robustez, a complexidade da escolha já é vetada ao ser assim que este passa a respirar destes ares. Assim que nascemos, em qualquer lugar do mundo, um carimbo vermelho nos é marcado na testa: CAPITALISTA. Assim, sem te consultar. Sem pedir a sua opinião mesmo. Ninguém escolhe isso. E para que isso não seja jamais questionado, a primeira coisa que lhe é tirada quando você está em formação é a sua consciencia. E para isso, diversas armas estão a disposição dos capitalistas conservadores. Programas de televisão, músicas de baixíssimo teor intelectual, marcas, carros, trabalhos, estudos... aos poucos você nem percebe a sua falta de opção e vai ser mais um no meio de todos.
Pois bem... Não nos prendamos ao fator "capitalismo". Nossas vestimentas, nossos entretenimentos e até nossa alimentação já não nascem de um caráter opinativo individual de uns anos pra cá. As relações interpessoais também recebem esta marca forte do capitalismo. Aprendemos, desde pequenos, a não nos relacionarmos com "pessoas que não levam a lugar nenhum". O engraçado é que as pessoas mais interessantes que eu conheço jamais me levaram a lugar algum. Me deixaram livre, para que eu pudesse escolher aonde ir, como e por que ir. Deixaram livre todos os caminhos, para que eu tomasse o rumo que decidisse.
Os pais perderam a noção dos valores que devem ser passados nas "mesas de almoço", que estão igualmente se extinguindo, vale ressaltar. As conversas estão mudas, reduzidas aos cansaços, às dores de cabeça, às brigas dos pais... Estamos fadados a seguir o sistema, inclusive na nossa forma de sentir. As ruas estão cinzas e pobres. Os pobres vivem nas ruas. A bela natureza está sendo morta, trocada pelo luxo dos apartamentos, cada vez mais aprisionanates. Todo eu é questionado e forçado a não mais sê-lo. E cada dia menos temos o diferencial em nossas mãos. Nem as ataduras são mais responsáveis pela prisão, estamos decepados, surdos, cegos e caminhando para uma vida cada vez mais triste. E assim, a vida mata a vida todos os dias.
sexta-feira, 11 de abril de 2008
Aula, maldita aula.

Estou aqui sentado há umas duas horas, mais ou menos. Até agora não entendi uma só palavra do que foi dito nesta sala. Minúscula, vale ressaltar. Um claustrofóbico entraria em pânico com a minha descrição deste local. Não que eu tenha lá um grande dom de descrever. Mas é que o negócio é complicado aqui mesmo.
A aula se tornou tão incompreensível, que tem uns vinte minutos do filme “o auto da compadecida” passando em minha cabeça. As pessoas ao meu redor me olham incrédulas, tentando perceber qual é a graça no “estudo das ideologias e filosofia da linguagem”. As moças ao meu lado já releram o texto de Bakhtin umas três vezes, buscando o teor hilário do autor.
O pior de tudo é que eu estou me sentindo um completo ignorante aqui, meio a tantos estudiosos. Digo isso por que quando corro os olhos pela sala todos, sem exceção, estão praticamente fritando suas canetas e ateando fogo aos cadernos, devido ao atrito intenso entre ambos.
Neste momento estamos em um aguardado intervalo. Tem uma garota recebendo uma massagem de outra. Ambas são belíssimas e eu estou me segurando para não picotar esta escrita e começar um conto erótico. Ih... Parece que elas tiveram acesso aos meus pensamentos pútrefos, pois a massagem cessou repentinamente.
Levanto para tomar um cafezinho – que é grátis aqui! – mas a professora, um amor de pessoa, já recomeçou a falar novamente. Eu cheguei a me flagrar rezando para que caísse a energia, que caísse um poste, que caísse o que quer que seja, mas que algo parasse esse martírio interminável.
“O auto da compadecida” já está na metade, quando eu começo a pensar: “se eu fosse um daqueles americanos loucos, eu já teria sacado uma arma e distribuído uma saraivada de balas aqui”. Imediatamente meus olhos correm pela sala. “Mas não tem câmera aqui. Não ia ter graça.”. Não se preocupem, eu mesmo fiquei estarrecido com meu próprio pensamento.
Agora a professora discute uma passagem do texto com um rapaz. Bondade minha, os poucos cabelos que lhe restam já são completamente pálidos. Rapaz que faz ressalvas durante quase todo o tempo da aula... Pronto! Agora foi que deu-se! A massagista começou a falar. Ela tem um sotaque espanhol, castelhano, sei lá. Sei que, se eu já tinha pensamentos pecaminosos em relação à coitada, agora é que a aula foi pras cucuias de vez. Eu não consigo mais parar de olhar pra massagista espanhola. Ela deve estar pensando (?) que eu sou um tarado sem vergonha.
Depois de assistir a essa aula, eu só posso chegar a duas conclusões: Ou eu desaprendi o português, ou a professora leciona em nagô. Ao final de tudo, a miserável ainda me inventa de perguntar: “Como foi que o Marxismo conseguiu ficar na história, sem o estudo da Semiótica?”
“Sei não” – Pensei – “Só sei que foi assim.”. E tive que sair da sala pra poder explodir em gargalhada.
segunda-feira, 7 de abril de 2008
Crônica de um intestino escroto.

Hoje eu tive um acesso de dor-de-barriga. Desses que todos, vez ou outra, tem, nos piores lugares. Penso que nosso intestino é um grande filho da mãe, no pior sentido da expressão. Estava em casa durante toda a manhã, mas o meu intestino quis esperar até às 7:40, só pra me pregar uma peça. Cheguei a entrar e sair do banheiro umas quatro vezes. O local era o típico mictório de faculdade: extremamente entupido. Usava o subterfúgio narcisista do espelho. Fingia estar dando um jeito na barba, inventava um fio desarrumado no cabelo... A cena era hilária: um perfeito perfeccionista de sua aparência - com embrulhos audíveis na região abdominal - de camiseta, bermuda e sandálias destas de borracha.
Fiquei na escolta da porta do banheiro por quinze minutos, que demoraram duas horas para passar, aproximadamente. A essa altura, eu ja suava horrores. Quando o ruído da minha barriga evoluíra para um barulho quase ensurdecedor, eu resolví que era a hora exata de tentar mais uma investia rumo à privada. Neste momento, a bondosa servente, mulher trabalhadora, resolve interditar o acesso ao meu desejado objetivo. "Filha da puta!!!", pensei no momento. Resultado? Tive que esperar mais uns dois dias (cinco minutos), já visivelmente desesperado e com ódio à coitada da zeladora estampado nos olhos, para poder, enfim, descarregar os resíduos mortais que me atormentavam.
Depois de uma espera petrificante, vejo que a moça sai do banheiro masculino afim de continuar seu trabalho ao lado, no feminino. Como ela fechara ambos os banheiros, afim de realizar seu trabalho, o momento me pareceu perfeito. Pobre de mim, iludido. Esqueci que a perfeição não existe. Adentrei o ambiente vazio. "É agora!". Sem pestanejar, sentei-me no vaso, tranquilo, deixando o local completamente fétido, diga-se de passagem, o que era completamente compreensível.
Foi aí que deu-se a bagaceira: alguma turma de algum curso acabara de ser liberada. Neste exato momento, a servente, bondosa como uma santa, desobstruiu a entrada dos sanitários. Foi uma invasão desenfreada de jovens barulhentos, enlouquecidos... e eu naquele cubículo fedorento e em total estado de pânico. Minha respiração, meus batimentos cardíacos, tudo cessou por alguns minutos menos... o barulho das malditas flatulências fedidas, as quais eu não tinha a menor condição de segurar. E um silêncio constrangedor tomou conta do recinto, seguido de perto por uma crise de riso generalizada. Por parte deles, é claro. Da minha parte, apenas berravam os flatos, seguidos de quilos (ou litros?) de merda muito malfeita, vale ressaltar. O meu alívio só veio quando o silêncio voltou a reinar no local.
Resolvi sair rápido do maldito cubículo. Pelo menos, papel-higiênico tinha. Voei para o lado de fora, aonde pude notar que outro grupo - ou seria o mesmo? - se dirigia ao meu encontro. E novamente lá estava eu, utilizando o espelho como desculpa, fingindo olhar as falhas da minha barba. "Dei descarga? Ah, pouco importa... eu vou pro inferno, mas nao volto lá dentro.".