segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

A coisa mais dificil
de se achar nesse mundo

é o silencio.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Penso em desistir de escrever.
Só eu sei o vazio que
as palavras deixam,

quando me deixam.

Só eu sei como me sinto usado.

Só eu sei como ecoam os elogios,
e as criticas.

Nao aplauda essas palavras.
Elas me roubam a liberdade.
que tipo de merda doentia

eu estou tentando plantar na sua cabeça?

Qual é o propósito escroto
que uma palavra tem

em ser exatamente essa palavra?

E não um sinônimo qualquer?
Ou um antônimo?

Por que exatamente esse significado

e esse significante?

Por que o por que,
e não o como?

Ou o nada?

Que cheiro terão, essas palavras?
que textura?


Que tipo de merda eu estou tentado dizer?

Eu fico aqui, falando sobre mim,
banhado em desinteresse...

escrevo egocentrismos
quase grisalhos.
Quase carecas.

Escrevo palavras débeis
que nascem por obrigação.
mera obrigação de alimentar meu ego de poeta.
Ego estúpido e amargurado de poeta.

Que não sou.

Penso em deixar de escrever;
e constatar que talvez a própria poesia,
as próprias palavras,
não me permitam deixar de escrever,

Me faz sentir tao marionete.


E se as palavras
não merecerem minha agonia,
e eu as esteja obrigando,

simplesmente pela minha vontade idiota de ser poeta?

Que se fodam esses existencialismos idiotas...
Que se foda essa necessidade imbecil

e os aplausos retóricos.

E toda essa adversidade
e essa pompa em achar que escrevo.

Que se foda.

Penso em deixar de escrever.
Só eu sei o vazio
que as palavras deixam

ao me deixarem.

sábado, 19 de novembro de 2011

Somos todos idiotas
e escrevemos idiotices
uns para os outros
sem escrupulos:

... Somos idiotas,
e seguimos sendo idiotas
mendingos, safados, certos,
errados, culpados, calados...

Idiotas chapados,
sentados em frente a tv.
Somos tao idiotas
sentimos, pedimos, queremos, agimos
mas nao sabemos por que.

Idiotas que aplaudem
que invadem, nao sabem,
nao querem, nao agem jamais...

Somos idiotas demais,
e o mundo errado demais,
as vezes é mundo demais
para idiotas drogados
largados, repetitivos, cuspidos

desesperados.

Somos tao idiotas...
nao vemos, mas cremos, nao lemos
nao somos. Só estamos.

Idiotas agudos, azedos, amargos,
lacrados em mundos
cada vez mais fadados

Ao tudo, ao nada
e aos nossos famigerados
e bestiais
cotidianismos.

sábado, 29 de outubro de 2011

tinta distinta

Desgasta
a tinta
que pinta
aflita

Aflita
a tinta
desgasta,
mas pinta.

Pinta,
a tinta
que aflita
desgasta

Aflita,
desgasta,
mas tinta
que pinta.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Dias de calmaria e inusitez
e inusitadas alegrias
inusitada inusitez desses dias
alegrias

inusitada fantasia
quase calada afasia

apatia, apatia, fantasia
fantasia, inusitada fantasia

mordiscada, e gargalhada, e inusitada
risada

risada calada, pra baixo, calada
pra baixo

falada, piada, velada, contada
inusitada, no pe do ouvido...

inusitada.


E assim seguem os dias,
no bipolarismo inusitado

do seu sorriso.

sábado, 8 de outubro de 2011

Estou vivendo a sozinhez
e devo confessar
que esta sozinhez

Até que me é agradável.

Tem um barulho enorme
no silêncio dos lugares onde
não estou.

E aqui fora
esse silêncio chega a doer os ouvidos.

A ocupar um espaço enorme
no tempo.

A quase ter matéria e sentar-se do meu lado
e me pedir uma dose, um trago
e um afago

e deitar sua cabeça em meu colo,
me contar da familia
e de como a terça passada

foi difícil, no mundo dos silêncios...

Aqui fora, o silêncio
se empossa de sua subjetividade

E quase me toca,
com sua mão fria de silêncio.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

E eis que aqui,
No reino da poesia,
O sangue seja doce.

E as vísceras,
veludo.

E bonito seja
o massacre de qualquer guerra.
E o esgoto
um rio bonito que passa atrás de casa...

Eis que o pútrido seja belo
e a agonia,
o desespero e o medo
consequências normais
das coisas...

E vomitar seja bom
ter vermes e bactérias...
beber a agua suja

beijar a boca podre
ter lodo nos sovacos...
e federem as genitálias

Que os pecados sejam mandamentos
e a bondade
ojerizada.

Que seja heróico
o adultério
e toda sorte de sacrilégio

Que toda crueldade seja glorificada

E os estupros
físicos e mentais
normalismos do dia-a-dia.

Que tudo seja odiado
e obrigatório.
Que todo deus
seja um diabo
que todo messias seja assassinado

em massacres infantis...

Que todo verso seja sujo
de arrependimentos imbecis

Mas aqui é poesia
e pra poesia
isso também é possivel.