terça-feira, 21 de julho de 2009

Uma cronica, pra distrair...

São exatamente 20:57. Eu quero escrever, mas não sei bem sobre o que...

Não sei se a minha massa encefálica está preparada para começar alguma coisa assim, do zero, do nada, do branco... Sem um mínimo de direcionamento. Eu fico aqui encarando todo esse espaço vazio à minha frente, e isso até que me assusta um pouco. Nossa, que mundos não caberiam aqui? Quantos e quantos mundos poderiam ser criados, aqui, comigo sentado na minha cadeira, diante dessa imensidão esbranquiçada... Sem o menor esforço! Sem ter que recorrer a nenhum 'big-bang', sem ter de lidar com pecados originais, com protestos, com revoltas... sem ter ao menos que levantar a minha bunda dessa cadeira que aqui me conforta.

O mundo, eu crio em sua cabeça. Mesmo que eu nunca tenha te visto na minha vida... Mesmo que eu desconheça qualquer sentido de bagagem teórica, teóloga, fisico-quimica, literal ou pessoal sua; mesmo que eu desconheça - ou até discorde - da sua orientação politica, sexual, socio-econômica... o mundo que eu crio só toma vida em sua mente. Talvez eu possa fazer existir um exemplo, afim de que seja compreendida toda essa falácia:

Eis que surge o ônibus, ao fim da rua... O sol esquentava meus miolos, e eu me apresso em fazer o sinal para que o motorista viesse ao meu encontro. Aos poucos, eu vou notando que o veículo não diminui a velocidade ao se aproximar, e, em pouquissimos segundos, estou olhando para a parte trazeira do local onde eu deveria estar - o ônibus.

Para muitos, aquele era um motivo para se agradecer a Deus. Quem sabe o que aconteceria se eu tivesse embarcado? E se um acidente acontecesse? E se eu fosse assaltado?... Para outros, aquela era só uma fatalidade da vida. Outro carro viria, não era necessário perder a paciência...

Para mim, o motorista era um bom de um filho da puta, isso sim. Me deixou aqui, com fome, com calor, completamente estressado, por que não tenho um carro, e, pra ser sincero, com uma raiva estrondosa do sistema de transportes da minha cidade.

O sol vai ficando mais forte, e eu continuo fulo da minha vida... Mais de meia hora se seguem, e eu me prometo dizer poucas e boas pro proximo motorista que vier... O negócio, é que meu humor não se refaz com certa facilidade... poucos segundos depois, uma garota fala do meu lado:

- Nossa, muita sacanagem do 'motô' - encurtamento para 'motorista', em Salvador - não ter parado.

- É... - Minha complexa resposta...

- Você tá puto, hein?

- Que nada. Eu adoro quando me fazem de otário - Sorrio.

Geralmente é ai que se acaba a conversa. O meu jeito de falar, e a minha cara de 'poucos amigos', tem o poder de afastar as pessoas de qualquer tentativa de contato social iminente. Para minha surpresa, porém, a menina se apresentou, e continuou a conversa...

- Fulana-de-tal, prazer - Estou com preguiça de inventar um nome.

Aceno com a cabeça.

- Essa é a hora em que você me diz o seu...

Falo. Assim, seco. Vocês devem estar pensando o que se passa em minha mente, para que eu não demonstre qualquer tipo de afetividade para com a garota. Não, ela não era feia. Não era nenhuma deusa grega, mas.. Não era feia. Não exalava odores pútrefos - nem dos sovacos nem da boca -, não vestia uma camisa do JingSaws (Jogos Mortais), muito menos tinha um tamanco rosa, uma bolsa rosa, e brincos rosas.

Na verdade, ela tinha todo um fenótipo de uma pessoa normal, tentando ser gentil com outra, apenas. O problema é que eu estava puto da vida, e agora com mais um motivo; aquela garota estava puxando assunto comigo e eu, pelo meu estado de ódio contra o escroto do motorista, agora estava perdendo a oportunidade de meses de sexo gratuito e, provavelmente, sem nenhum tipo de envolvimento - o sonho de todo homem solteiro não apaixonado.

Quando esse pensamento me passa pela cabeça, rapidamente eu tomo consciência do que estou perdendo... Olho para o lado, ela também me olha. Claro que depois da minha rispidez, ela já não está mais tentando puxar assunto nenhum... "Rápido" - Penso - "Fala alguma coisa..."

- Tá um calor, né?

Gente que não tem assunto sempre fala do clima. Essa é uma estupidez terrível, por que a resposta da outra pessoa só pode ser 'é', ou 'não'. Que tipo de conversa se desenrolaria a partir dessa resposta monossílaba?

- É. - Ela responde.

Ficamos mais alguns segundos em silêncio... Eu tentando desesperadamente falar algo interessante, quando me vem a idéia: "Vou me desculpar pela rispidez com que a tratei, e recomeçar tudo do início."

- Sabe... - Começo a falar.

Quando olho para o lado, a garota se levanta, e corre para a frente do ponto, fazendo sinal para o motorista da lotação que ela esperava - que, é lógico, não servia para mim -, e sumindo dentro daquele carro imenso.

"Tudo culpa daquele motorista filho da puta!"

Penso, e torno a ficar puto da vida.



Viram? Eu vomito as palavras, vocês criam o mundo.

9 comentários:

Danielle disse...

Preciso comentar? Não né? Obg

. disse...

filosofando o cotidiano...

Larissa Meira. disse...

- Sabe... - Começo a falar.

Quando olho para o lado, a garota se levanta, e corre para a frente do ponto, fazendo sinal para o motorista da lotação que ela esperava - que, é lógico, não servia para mim -, e sumindo dentro daquele carro imenso.

viu, escroto?

. disse...

eu leio, comento, e vc diz q eu não li e manda o link de novo ¬¬

. disse...

"aquela garota estava puxando assunto comigo e eu, pelo meu estado de ódio contra o escroto do motorista, agora estava perdendo a oportunidade de meses de sexo gratuito e, provavelmente, sem nenhum tipo de envolvimento"
(aahhhh, se fudeu otárioooo)
rss

• Viviane Nascimento • disse...

oo vei... "Para mim, o motorista era um bom de um filho da puta, isso sim. Me deixou aqui, com fome, com calor, completamente estressado, por que não tenho um carro, e, pra ser sincero, com uma raiva estrondosa do sistema de transportes da minha cidade. "

hAUHAUAHUAA

mto bom rafa! te amo =)

Carou disse...

Essas brisas são de enlouquecer! Hahaha! Se expressa bem. Parabéns.

Pedreira disse...

E saiu do zero esse.
Nem tem o que comentar.

Unknown disse...

me reconheci no mau-humor...rs, mto bom!